segunda-feira, 24 de agosto de 2020

MANIFESTO DO FNTSUAS: "O enfrentamento às Reformas e ao (des)Financiamento do SUAS"

 A Coordenação Nacional do FNTSUAS vem reafirmar, por meio desse manifesto, sua defesa intransigente da Seguridade Social e dos direitos da classe trabalhadora. A conjuntura atual é de aprofundamento da crise do capital, agravada com a crise sanitária do coronavírus, com retirada de direitos do conjunto da classe trabalhadora. Nesse momento que gera tantos impactos no cenário brasileiro e mundial, o governo avança com seu projeto neoliberal e moralizador, tendo como foco para minimizar a crise, ampliar a desigualdade social, com rebatimentos imensos na população mais vulnerável do país.

Nessa direção o FNTSUAS, vêm construindo uma série de debates, o primeiro com o DIEESE sobre os desafios do financiamento da Assistência Social pública universal e de qualidade e, como desdobramento deste, um debate sobre as propostas de reforma tributária em curso no país!

Esta é uma nota para reflexão na construção do nosso plano de lutas nacionais que levam em consideração tanto as lutas setoriais dos trabalhadores e trabalhadoras, como as lutas sociais mais amplas que incidem direta e indiretamente na construção de um SUAS, forte, com financiamento público e vinculado a um sistema justo de contribuições sociais, que incidam também sobre os superricos, hoje desobrigados pelas leis tributárias atuais, e não que onerem ainda mais os segmentos mais vulneráveis de nossa população.

A título de contribuição, resgatamos pontos importantes de nossos debates:

1) O desfinanciamento do SUAS: desde 2016, o sistema vem sofrendo perdas significativas em seu orçamento. Os governos pós-golpe vêm privilegiando as despesas OBRIGATÓRIAS (BPC,PBF), sendo que as despesas DISCRICIONÁRIAS que dão suporte aos serviços, programas e projetos e à gestão do SUAS estão cada vez mais reduzidas e ameaçadas, com possíveis agravos ainda maiores para 2021, pela previsão de perda da arrecadação do Estado Brasileiro em função da pandemia da COVID-19. Até a última reunião do CNAS apenas tinham sido repassados os recursos fundo a fundo para as despesas discricionárias em fevereiro, ferindo deliberação de repasse permanente, continuo e regular dos recursos. Somado a isso, os impactos da EC 95 que congela recursos da Seguridade Social e por consequência, da Assistência Social, por 20 anos, é mais uma ameaça constante ao SUAS;

2) O atual governo tenta diminuir a importância do controle social e se legitima em portarias, decretos e demais atos normativos, criando barreiras para o exercício do controle social. Na realidade tem negligenciado o controle social para impor ações de governo que desconstroem o SUAS como política de estado e vem envidando esforços para sua reconfiguração como política de governo, tirando ou diminuindo o papel e a responsabilidade do Estado;

3) Com relação ao auxílio emergencial, imperativo ressaltar que foi desconsiderada a base de dados da política de Assistência Social e se tornou um benefício regido pela lógica bancária. Sua operacionalização e concessão foi morosa e não conseguiu dar as respostas rápidas que a população exigia, devido à necessidade de distanciamento social, tendo sua burocracia inclusive resultando aglomerações nas portas da Caixa Econômica Federal em todo o país. Muitos casos encontram-se ainda sem solução;

4) Destacamos que existem relatos em todo país da falta e/ou da má qualidade e não reposição de EPI's e EPC’s, colocando em risco a saúde e vida dos/as trabalhadores/as do SUAS, bem como, a população que busca os serviços da política de assistência social;

5) A reforma tributária em discussão pelo governo e circulando no congresso apresenta, em sua maioria, alterações do modelo tributário vigente com um caráter regressivo e antidemocrático, uma vez que onera principalmente a população mais pobre, ao concentrar os tributos no consumo de bens e serviços. Enfatizamos que a proposta acaba com as contribuições sociais que são as únicas verbas vinculadas à Seguridade Social. A reforma tributária nestes moldes, trata-se de mais uma proposta de contrarreforma do governo em prol do capital;

6) Existe uma proposta de reforma tributária democrática e progressiva que taxa as grandes fortunas, heranças e patrimônio. Contudo não trata de uma contribuição social que vincule receitas à Assistência Social. Uma de nossas tarefas constitui a luta por essa vinculação de receitas que garanta nas três esferas de governo recursos para o financiamento da política de Assistência Social que efetivamente garanta benefícios e serviços regulares e de qualidade para população brasileira;

7) Outro risco que se coloca no atual cenário é a transformação do auxílio emergencial em Renda Brasil que seria um único benefício em substituição ao PBF e até mesmo ao BPC, com valor abaixo do salário-mínimo. Essa concentração de recursos, além de servir a intenções eleitoreiras do atual governo que quer ampliar sua base de apoio entre a população, coloca em xeque os serviços oferecidos pelos CRAS, CREAS, Centros Pop, Centros Dia e Unidades de Acolhimento Institucional em todo o país. Nos somamos ao debate na sociedade civil em torno da proposta de uma renda básica de cidadania, com a garantia da não exclusão de outros benefícios já existentes e nem com a implosão dos serviços socioassistenciais;

8) O fim das contribuições sociais é mais um ataque à Seguridade Social construída na constituição cidadã. Implicam na pressão para instituição de políticas de saúde e de previdência social privatizadas, transformadas em mercadoria e na refilantropização da Assistência Social;

9) Nossa luta além de defender os valores republicanos e humanitários inscritos na Constituição Federal de 1988, deve avançar na luta pela instituição de contribuições sociais vinculadas a Assistência Social, que sejam suficientes para enfrentar o aumento exponencial da pobreza, durante e no pós pandemia, ajudando a construir um país mais justo, fraterno e solidário, com justiça social;

10) Nas nossas lutas coletivas, estamos resgatando as contribuições do DIEESE à Mesa Nacional de Gestão do SUAS. Antes do golpe tínhamos avançado em questões como a precarização do trabalho no SUAS e nas diretrizes para um proposta de plano de cargos, carreiras e salários. O atual governo mudou o formato da Mesa Nacional de Gestão do SUAS, a partir do Decreto no 10.128/2019, que altera formato e composição, bem como a periodicidade de reuniões. Passou a ser convocada ordinariamente 01(uma) vez por ano por seu presidente, sem perspectiva de negociação, diminuição no número de membros e de regularidade de reuniões. Os(as) Conselheiros/as representantes dos trabalhadores e trabalhadoras no CNAS iniciaram uma tratativa com a Secretária Nacional de Assistência Social que abriu para a possibilidade de envio de uma minuta de proposta de Mesa Gestão e Negociação do SUAS que recupere o caráter original da mesa de negociação que, inclusive está prevista na NOB/SUAS e NOB-RH/SUAS;

11) Recomposição das equipes de referência nos Serviços Socioassistenciais e nas áreas de gestão dos três entes federados, com servidores concursados com perfil conforme Resoluções CNAS nº 17/2011 e nº 09/2014;

12) Implantação da política nacional de saúde do/a trabalhador/a do SUAS;

13) Previsão na proposta orçamentária para 2021 de recursos para a Educação Permanente do SUAS e garantia do IGD-SUAS;

14) (Re)instalação do Núcleo Nacional de Educação Permanente do SUAS e apoio aos Estados/Distrito Federal e Municípios na implementação dos núcleos estaduais/regionais conforme PNEP/SUAS.

São muitos os desafios colocados para os/as trabalhadores/as, usuários/as e entidades da sociedade civil. Nossa unidade na luta pela defesa da Cidadania e da sua ampliação, por melhores condições de trabalho e salários, pela regularidade e assiduidade no repasse de recursos fundo a fundo, que garantam a melhoria da oferta de serviços, são questões que nos unificam! Vamos em frente porque somos todos/as essenciais nessa luta!


#TrabalhadoresemDefesadoSUAS #UNIDADENALUTA #CoordenaçãoNacionaldoFNTSUAS




segunda-feira, 3 de agosto de 2020

FNTSUAS lança II Nota sobre os impactos da Pandemia do novo Coronavírus (COVID-19)

O Fórum Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras do SUAS - FNTSUAS se manifesta na defesa da Política Nacional de Assistência Social – PNAS, do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e dos direitos das/os trabalhadoras/es do SUAS durante a pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19), em que foi declarada Emergência em Saúde Pública Internacional pela Organização Mundial de Saúde - OMS.
Com a pandemia, o Brasil e o mundo passam por forte crise sanitária, econômica, política e social, com agravo nas condições de vida da população, sobretudo dos mais pobres. Neste contexto a Assistência Social é reconhecida enquanto serviço essencial, para garantia de atendimento à população em estado de vulnerabilidade e risco social, sendo necessárias a criação de estratégias e a distribuição de equipamentos para garantir a saúde de trabalhadoras/es e usuárias/os.
A luta pela efetivação do acesso universal da população aos direitos sociais, vêm sendo atravessada pela situação de desmonte da Seguridade Social, em que o Estado se desresponsabiliza pela sua função de Proteção Social, reiteradamente temos tido o desfinanciamento das políticas públicas, onde a política de assistência social e a violação de direitos das/os trabalhadoras/es que atuam na execução desta política, se agudizam. Com a pandemia, essas questões têm se intensificado, ao passo que nos manifestamos pela:

* Continuidade de funcionamento dos serviços  de forma segura para trabalhadores/as e usuários/as. Defendemos a manutenção do funcionamento dos equipamentos da assistência social e seus serviços, com a garantia de atendimentos presenciais, avaliando sempre as medidas cabíveis para evitar circulação, exposição e aglomerações. Avaliamos que o atendimento 100% remoto não é indicado, enquanto serviços essenciais, porém de igual modo, indicamos avaliar as possibilidades de revezamento nas equipes e garantir que trabalhadores/as do grupo de riscos não fiquem expostos;
* Garantia de trabalho na modalidade “Home Office” às trabalhadoras e trabalhadores do SUAS que estão categorizadas/os como grupo de risco, sem prejuízos salariais;
* Garantia de distribuição de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs adequados aos atendimentos realizados, bem como treinamento para a paramentação, desparamentação e descarte dos EPIs;
* Articulação da Assistência Social com a Saúde para garantir orientação correta sobre a COVID-19 e as ações de prevenção, bem como do uso de Equipamentos de Proteção Individual - EPIs que são mais comuns às/aos profissionais da Saúde, bem como da inclusão das/os trabalhadoras/es da Assistência Social como público prioritário para Campanha de Vacinação contra a Gripe;
* Adequação nos horários de atendimento e funcionamento dos equipamentos para garantir o atendimento à população sem impôr risco à saúde e à vida das/os profissionais que trabalham nessa política pública;
* Garantia das condições necessárias para efetivação do trabalho cotidiano da política de assistência social sejam cumpridas sem exceções, a fim de assegurar proteção à saúde e vida de todas as suas trabalhadoras e seus trabalhadores, bem como da população que precisa desse atendimento;
* Garantia de testagem para COVID-19 às trabalhadoras e trabalhadores da Assistência Social;
* Manutenção dos vínculos de trabalho e remuneração, e pagamento de periculosidade e/ou insalubridade;
* Elaboração dos Planos de Contingências pelos Municípios, Estado e União, com a participação de trabalhadoras/es e usuárias/os; e,
* Premissa que o Poder Público em todos os níveis de Gestão, de acordo com a Constituição Federal de 1988, através dos instrumentos que tratam do orçamento público para a Assistência Social, quais sejam, o Plano Plurianual – PPA, a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e a Lei Orçamentária Anual - LOA, façam uma Previsão Orçamentária considerando os impactos econômicos e sociais do período de pandemia e pós pandemia.

#SUASResiste #SUASporDireito #EnfrentamentoDaPandemia #SUASéEssencial





Confira a I Nota do FNTSUAS diante da Pandemia da COVID-19(Coronavírus).
Defendemos a Assistência Social como Política Pública essencial e igualmente defendemos as relações e condições de trabalho para todos/as trabalhadores/as do SUAS. #fntsuas #SUASResiste #SUASpordireitos




O QUE ESTÁ EM JOGO NO 2º TURNO?